terça-feira, 19 de julho de 2016

cine noia - Estranhos na Noite - Mordaça no Estadão em Tempos de Censura

Sexta-feira, 13 de dezembro de 1968. Num dia tradicionalmente identificado com o azar, a redação de O Estado de S. Paulo, então no centro da cidade, é invadida por policiais que tentam – sem sucesso – bloquear a saída e apreender os jornais no cais da expedição da rua Major Quedinho. Nesse mesmo dia, o governo militar decreta o Ato Institucional n.º 5 (AI-5), que fecha o Congresso, cassa os direitos dos cidadãos e acaba com a liberdade de imprensa. 

O primeiro alvo é o Estadão, que ousou publicar, nesse mesmo dia 13, o editorial Instituições em Frangalhos, criticando duramente o presidente da República, marechal Costa e Silva (1899-1969), por pretender passar por cima da lei para processar o deputado Márcio Moreira Alves, autor de um discurso ofensivo às Forças Armadas. No dia anterior, a Câmara dos Deputados rejeitara o pedido de licença para que o Supremo Tribunal Federal processasse o político oposicionista. Então, o 2.º Exército entrou de prontidão nessa noite. A tragédia apenas começava.
As instituições, confirmando o último editorial redigido pelo diretor do jornal, Julio de Mesquita Filho (1892-1969), estavam mesmo em frangalhos. A prova fatal viria às 22 horas desse dia 13, uma hora antes de o ministro da Justiça, Gama e Silva, anunciar o AI-5: recusando-se à autocensura, o Estadão foi submetido à censura por ordem governamental. Alvo de ameaças e telefonemas anônimos, o jornal viria a ser censurado por quase três anos – de setembro de 1972 a 3 de janeiro de 1975. Nesse período, segundo levantamento feito pela historiadora Maria Aparecida de Aquino no Acervo Estadão, foram cortados da edição 1.136 textos, substituídos por excertos de Os Lusíadas(no caso do Estadão) e receitas de bolo (no Jornal da Tarde), em protesto contra o arbítrio dos censores, que se instalaram na sede do jornal.
Um filme com os protagonistas dessa história, dirigido por Camilo Tavares, filho de um deles, o jornalista Flávio Tavares, ex-editorialista do Estadão banido pelo regime militar, estreia neste sábado, 20, às 14 horas, no Memorial da Resistência. Com roteiro do jornalista José Maria Mayrink, autor do livro Mordaça no Estadão, seu título,Estranhos na Noite, evoca um antigo sucesso de Frank Sinatra, Strangers in the Night.

 Com deliberada ironia, quem cantava a música na Redação era o diagramador Gellulfo Gonçalves, anunciando em código a presença de censores. Gellulfo também aparece no documentário, produzido pela Pequi Filmes, que, entre 27 depoimentos, traz Eva Wilma e Irene Ravache, duas veteranas atrizes que lutaram contra a censura e resistiram às arbitrariedades da ditadura. Irene, inclusive, negou-se a revelar o paradeiro de colegas perseguidos pelos militares, colocando sua segurança em risco.Atos de coragem custaram caro a jornalistas que não tiveram a mesma sorte, como Antonio Carlos Fon, repórter policial que denunciou os crimes do Esquadrão da Morte, foi preso e barbaramente torturado.

A sua é uma das muitas histórias do filme que será exibido no Memorial da Resistência de São Paulo, antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), extinto em 1983. Como ele, outros jornalistas do Estadão foram perseguidos por defender a causa das liberdades e dos direitos humanos. Carlos Garcia, chefe da sucursal do Recife em 1974, entrevistado no filme, levou choques elétricos e foi pendurado no pau de arara para revelar como funcionava a “célula comunista” no Estadão, um jornal que, evoque-se, apoiou o golpe militar de 1964 – a desilusão com os desvios do regime antidemocrático não tardou a chegar. Claro que muitos dos seus jornalistas eram comunistas. A direção do jornal, como enfatiza Julio César Mesquita no filme, não pedia atestado ideológico de seus funcionários. “É uma tradição nossa”.


A censura proibiu a notícia da prisão de Garcia. Por vezes era a Polícia Federal que avisava por telefone quais temas deviam ser evitados ou simplesmente proibidos. Outras vezes, eram bilhetes de oficiais do Exército. O roteirista do filme, José Maria Mayrink, entrevistou profissionais que testemunharam os mais absurdos casos. “Todos os jornais publicaram a cobertura da saída do ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, em maio de 1973, menos oEstadão”, lembra Mayrink, o primeiro repórter a ver o corpo do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) ainda no carro, emboscado na Alameda Casa Branca. Sobre Cirne Lima, o anúncio de sua demissão foi substituído, na edição de 10 de maio de 1973, por um anúncio de um programa da rádio EldoradoAgora É Samba.
Delfim Neto, então ministro da Fazenda, aparece no filme negando que tenha sido o pivô da demissão de Cirne Lima. E aproveita para declarar que nunca houve “milagre econômico” e assinaria de novo o AI-5, que permitiu a censura aos jornais. Sobre ela, aliás, Julio de Mesquita Neto (1922-1996), diretor responsável do Estadão, cargo que assumiu em 1969, guardou uma história lembrada no filme. Chamado a depor num Inquérito Policial Militar, em janeiro de 1973, o editor, interpelado por um major se era o diretor responsável do jornal, respondeu: “Não, é o professor Alfredo Buzaid, ministro da Justiça”. E completou: “No caso, depois da censura, quem decide o que sai ou deixa de sair noEstado é o professor Alfredo Buzaid”. A ironia, claro, não foi bem recebida.


Foto: Acervo Estadão
Meningite. Notícias sobre surto proibidas por censores
Meningite. Notícias sobre surto proibidas por censores
Não havia mais censura aos jornais em 1975 quando o jornalista Marco Antônio Rocha, hoje editorialista do jornal, recorreu ao então editor Ruy Mesquita (1925-2013), ao ser ameaçado alguns dias depois da prisão e morte de Vladimir Herzog no DOI-Codi. Rocha conta no filme que o editor ligou para o ministro da Justiça assumindo que ele se encontrava sob sua proteção. “Papai o recebeu em casa e ele dormiu no meu quarto”, conta Ruy Mesquita Filho.
Foto: Acervo Estadão
Histórias reais. Edição do jornal do dia 13 de dezembro de 1968
Histórias reais. Edição do jornal do dia 13 de dezembro de 1968
“Naquela época, o inimigo tinha nome endereço”, comenta a atriz Irene Ravache. “Hoje, com juízes desfilando em carros de pessoas presas, vejo que ainda não chegamos ao fundo do poço, que não temos uma verdadeira oposição”, conclui. No filme, a palavra final é dela, condenando os anistiados do regime que argumentaram estar cumprindo ordens: “As ordens também existem para não serem cumpridas”. E, lendo um trecho de Millôr Fernandes, Eva Wilma completa: “Mas, no fim, o mal nem sempre vence”.

post original com mais detalhes e trailer:
http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,filme-estranhos-na-noite-aborda-a-censura-do-estado-na-ditadura-militar,10000016917

nojo


ô/

substantivo masculino 

1.
obsl. tristeza profunda; pesar, desgosto. 

2.
m.q. LUTO. 

3.
obsl. o que prejudica ou fere; dano, mal. 

4.
obsl. mal-estar estomacal que dá ânsias de vômito; náusea, enjoo. 

5.
obsl. tédio, aborrecimento. 

6.
obsl. constrangimento, vergonha, pejo. 

7.
sentimento de repulsa que algo desperta num indivíduo, que o faz evitá-lo, não querer tocá-lo; repugnância, asco.

"n. de barata" 

8.
p.met. algo que provoca esse sentimento.

"o banheiro da estação era um n." 

9.
p.metf. sentimento de repulsa por um fato ou comportamento vergonhoso, baixo, vil, sem ética; repugnância, asco, abominação.

"os métodos de alguns políticos dão n."

segunda-feira, 18 de julho de 2016

sábado, 16 de julho de 2016

Eles são o Rio



Black Future revê disco clássico e improvável do rock nacional dos anos 80 em show com músicas novas. Fotos: Maurício Porão.



texto: Marcos Bragatto
post original: http://www.rockemgeral.com.br/2016/07/16/eles-sao-o-rio/




O vocalista do Black Future, Márcio Satanésio e a sua característica cantoria declamatória e expressiva“Não vai se jogar do palco, não?”, cobra um incauto do meio da plateia, relembrando a marcante performance de Márcio Satanésio à frente do Black Future. Dezesseis longos anos depois da última apresentação, no Cine (pornô) Íris, a banda está de volta como se o futuro negro já estivesse aqui, mas, ao mesmo tempo, ainda por vir. Não tem o mosh cobrado pelo fã, certamente das antigas, e a argumentação é a de que o palco é muito baixo – na verdade quase não há palco – na Vizinha 123, no Rio, diferentemente do Circo Voador ou do Teatro Ipanema, por onde o grupo passou deixando marcas. Mas a dodecafonia pós punk poética do quarteto segue incólume, como um moto perpétuo de destino ignorado e fora de qualquer época.

O show é planejado para fazer parte do documentário “Futuro Negro”, que segue sendo rodado no esquema colaborativo (participe aqui) e a formação é subtraída de Tantão, figura mais emblemática do que musicalmente determinante, que optou por não participar. O que, de certo modo, deixa o som mais reto e direto, com a bateria acústica do eclético Leo “Massacre Completo” Monteiro, de passagens por Acabou La Tequila e Orquestra Imperial, cuja batida seca contribui para o clima pós punk do grupo. Assim como as linhas de baixo soturnas de Olmar Jr. e a guitarra minimalista de Edson Milesi – ele mesmo, o DJ Edinho – seguem costurando a sonoridade singular do Black Future, terreno fértil para a cantoria declamatória de Satanésio.

Como se vê em “Bem Depois”, que sugere a visão de um Ian Curtis recortado de Manchester e colado perdido na Lapa em um photoshop/túnel do tempo da vida real. A música, dos “sonhos iguais”, é repetida no final, fazendo valer a gênese do bis. É também a vibe de “Eu Sou o Rio”, acrescida de uma percussão menos samba e mais tribal. Mais conhecida (teve clipe!), é a que o público mais aplaude. Fácil identificar, depois de tanto tempo, de onde vem verbalizações mais integradas ao mainstream como as de Marcelo D2 e Planet Hemp, Fausto Fawcett e Fernanda Abreu, só para citar algumas. Ao todo, são seis músicas do único disco do grupo, justamente chamado “Eu Sou o Rio”, que saiu em 1988 (ouça aqui), e que poderia ter a íntegra executada no show que ninguém iria reclamar; fazem falta, ao menos, “Sinfonia Para Um Morto” e “Teatro do Horror”.


Trevas: o guitarrista Edson Milesi, o baixista Olmar Jr., Márcio Satanésio e o baterista Leo MonteiroMas não ficam de fora a ótima “No Nights”, cujo riff de guitarra e linha de baixo sugerem uma aproximação com o funk de raiz, e a letra é total Satanésio, e até “Ciborgue”, de Arnaldo Baptista, gravada para o tributo “Sanguinho Novo”, reunindo contemporâneos do BF. A música, contudo, só saiu na versão em fita cassete, num retrato de como o grupo conseguia ser o lado b do lado b. Entre as novidades, “Outras Versões” e “Valeu a Pena” se inserem com facilidade no jeitão de ser do Black Future. A primeira abre noite com Satanésio empunhado um caderno de poesia, como em outros tempos, e a segunda traz uma guitarra que faz lembrar – escolha você mesmo – a) John McGeoch ou b) Robert Smith.



São só intensos quarenta e cinco minutinhos de bola rolando, e o show é espécie de preliminar da Festa Paradiso, que há anos reforça o rock na Cidade Maravilhosa. Para tanto, a Vizinha 123 foi decorada com espécie de engenhocas piscantes sob sacos de papelão que remetem à duplinha Satanésio e Tantão encapuzados na capa de “Eu Sou o Rio”. Que a corrida para a arrecadação da meta para a conclusão do filme seja vitoriosa, mas, se demorar um pouco e isso acarretar em mais e mais shows, ninguém vai reclamar. Ainda mais com o crescimento do entrosamento quer só o palco pode oferecer a uma temática que parece sempre atual. Se puder, não perca uma dessas aparições.

Set list completo:

1- Outras Versões
2- Bem Depois
3- Reflexão
4- Interrupção
5- Valeu a Pena
6- Ciborgue
7- Pânico
8- No Nights
9- Eu Sou o Rio
10- Quero Tocar na Lapa
Bis
11- Bem Depois


Fazendo sentido em pleno século 21: Black Future tocando o repertório do marcante álbum 'Eu Sou o Rio'




sexta-feira, 15 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

chacota


Zombaria;
troça;
gracejo;
trovas burlescas;
seguidilhas satíricas;
antiga canção popular;
dança antiga acompanhada de canto.

Estás a fazer chacota de teu amigo ?

vexame



substantivo masculino
1.
ato ou efeito de vexar; vexação.
2.
tudo aquilo que causa tribulação ou dor; aflição, mau trato, opressão.
"crianças abandonadas sofrem vexames nas ruas"

segunda-feira, 11 de julho de 2016

self bondage fotos



fotos por Nayara


https://www.facebook.com/gnayara.guimaraes?fref=ts

adorável tortura




Sem palavras pra descrever o show de ontem no Rock Experience no bairro da Lapa/ RJ! Estavamos na fúria em retornar ao Rio, pois fazia muito tempo em que o TS não tocava no RJ.

Os bangers cariocas representaram muito bem com muita energia e vários mosh pits, foi insano demais!


Gostaríamos de agradecer ao Luís Carlos da produtora Be Magic , que foi o responsável por esse retorno da banda ao RJ , também pelo profissionalismo e parceria.

Dia 19/08 estaremos de volta ao RJ, torturando todos novamente!

VALEU DEMAIS!

Fotos por Jean Moura e Luciana Pires

sábado, 9 de julho de 2016

A Estrada da Cura - Legal mas Decepcionante


post original:
http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2014/05/09/a-estrada-da-cura-de-neil-peart-comove-mas-tambem-decepciona/

Uma das obras literárias mais aguardadas em 2014 era o caudaloso relato de um homem que perde a filha em um acidente de carro e a mulher para o câncer em um espaço de menos de um ano. “Ghost Rider – A Estrada da Cura'' (Ed. Belas Artes), de Neil Peart, ganha tradução brasileira 12 anos depois de lançado no resto do mundo, e havia muita expectativa para quem não tinha lido o original em inglês.

Fãs de rock e da banda canadense Rush não se cansam de elogiar a obra de um ser humano que se tinha tudo para submergir na depressão e cair no abismo, mas que deu a volta por cima com a ajuda de uma motocicleta (e de uma conta bancária farta) e de um espírito aventureiro que marcou a personalidade do baterista Peart, considerado um dos melhores da história do rock.

O livro é realmente interessante, e mostra uma prosa bem elaborada e elegante do baterista que escreve todas as letras do Rush desde 1975. Entretanto, a obra está longe da maravilha de que falam os fãs e empedernidos seres mais sensíveis, comovidos com a história de desespero e superação.

A mensagem é valiosa, a força de vontade demonstrada na viagem pelas Américas é algo que deva ser admirado, mas paremos por aí: são 513 páginas movidas pela dor e pela fé na vida, cheias de esperança, mas também contemplam páginas e páginas de irrelevâncias e assuntos que poderiam muito bem ser suprimidos. Não dá para afirmar que houve encheção de linguiça, mas certamente a obra, dividida em dois livros e 18 capítulos, exagera no volume e nas trivialidades. É preciso mais do que fôlego e paciência para chegar ao fim: é preciso ter fé.

Mundialmente aclamado como um dos bateristas mais técnicos e inventivos do rock, Neil Peart construiu em torno de si e do Rush uma aura de perfeição e erudição. Leitor compulsivo e escritor bissexto, assumiu com prazer a missão de escrever as letras de músicas do trio canadense e acabou se tornando um diferencial ao misturar com competência temas filosóficos, existenciais e, muitas vezes, puramente literários, o que algumas vezes lhe rendeu a “acusação'' de pretensioso e exibicionista.

Seja como for, as letras de Peart, aliadas à genialidade nas baquetas, ajudaram a impulsionar a carreira do Rush, que virou megabanda nos anos 80. E tudo ganhou ares cult quando se soube que o poliglota Peart, além de erudito, em nada lembrava o astro de rock: avesso a entrevistas, recluso e apegado à família, era um apaixonado por gastronomia, ornitologia (estudo dos pássaros, a grosso modo) e um quase ecologista. Entretanto, mas do que tudo, adorava aventuras e motocicletas.

A vida serena e tranquila de músico rico e bem-sucedido, que se refugiava à beira de um lago no interior do Canadá, desmoronou em meados de 1997, quando a filha de 19 anos, Selena, se despediu de manhã dos pais para começar a faculdade em Toronto, uma das maiores cidades do país. À noite, Neil e mulher Jackie, intrigados com o fato de a filha não ligar após dirigir por uma distância que poderia ser percorrida em duas horas, recebem a notícia do acidente que matou a filha.

E é assim que o grande baterista do Rush começa o livro sem meias palavras, introduzindo o infortúnio que o levou a uma espiral de desespero, lágrimas, depressão e completo desnorteamento – tanto que, no funeral da filha, comunica aos amigos Alex Lifeson (guitarra) e Geddy Lee (baixo e vocal) que estava se aposentando aos 45 anos de idade.


As tentativas de conviver com a dor da perda e luto subsequente só pioraram. Ele e a esposa passaram temporadas em Londres, Barbados (ilha caribenha) e Toronto, sempre rodeados de amigos e parentes, mas nada foi capaz de evitar o aprofundamento da tristeza. E a depressão de Jackie, segundo Peart nos conta com delicadeza, com certo distanciamento, evoluiu para um câncer, que a matou menos de um ano após a morte da filha. “Mais do que qualquer outra coisa, o diagnóstico da doença foi recebido por ela como um alívio, como se ela buscasse uma justificativa para encerrar o sofrimento'', escreve de forma sucinta e direta o baterista.

Enquanto narra tudo isso nas primeiras 30 páginas, Peart introduz o leitor com habilidade no mundo dos aventureiros da América. Experiente viajante de motocicleta, pela primeira vez encararia a estrada sozinho, sem a parceria do amigo Brutus, que mais tarde seria preso por envolvimento com transporte de maconha.

No chamado primeiro livro, narra histórias saborosas de suas passagens pelo norte do Canadá, Alasca, extremo-oeste canadense e os Estados norte-americanos de Idaho, Montana, Utah, Colorado, Califórnia, Arizona, Novo México, Nevada e várias províncias mexicanas, até chegar a Belize, pequena república espremida entre o México e a Guatemala. Essa primeira parte da viagem consumiu quase 40 mil quilômetros. Com intervalos, depois ele voltaria a cruzar Canadá e Estados Unidos por mais duas vezes.

As histórias legais, entretanto, começam a ser entrecortadas com citações pouco atraentes sobre pratos culinários típicos, descrições longas sobre as boa e as más acomodações da estrada e as repetitivas informações sobre sua notória timidez, que o incapacita para contatos mais duradouros com as pessoas à sua volta – exceto quando se trata do irmão Danny e dos cunhados, além de uma comunidade de amigos canadenses que moram em Los Angeles.

O segundo livro começa como termina o primeiro, em uma forma de narrativa em primeira pessoa e em forma de cartas ao amigo Brutus, preso em uma penitenciária do Estado de Nova York. A partir de então Peart conta a história por meio de cartas enviadas ao amigo, e aqui ele abusa da irrelevância ao exagerar nas descrições de suas caminhadas por florestas, observações de pássaros e passeios de caiaque sem nenhum atrativo.

O excesso de informações inúteis acaba contaminando a narrativa, e as possíveis conclusões da eficácia da “estrada da cura'' acabam soterradas em meio a muita conversa fiada e filosofia de boteco, que pouco tinham aparecido na primeira parte da obra.

Aqui é necessário abrir uma exceção à forma corajosa de como lidou com os cunhados durante o período de viagem pela América e da forma desajeitada como lidou com os flertes e um quase namoro com Gabrielle, uma ex-namorada de um amigo de Los Angeles que insistiu em ficar junto de Peart, apesar da evidente reticência dele. O namoro acabou não prosperando, mas teve um impacto negativo na relação com Debbie, uma das irmãs de Jackie e muito chegada ao baterista – ela não aceitou de bom grado o romance após pouco mais de um ano da morte da irmã.


“Ghost Rider – A Estrada da Cura'' não oferece indicações ou conselhos de como superar tragédias como as de Neil Peart. De forma comovente, sincera e corajosa, consegue tornar palatáveis sentimentos muito íntimos e particulares.

O músico trata o leitor com um confidente bastante chegado e facilita o caminho ao se abrir de todas as maneiras, às vezes até exagerando na humanização do astro de rock que ele certamente era e continua sendo. Pena que a avalanche de informações e comentários irrelevantes da segunda parte da obra prejudiquem o andamento da narrativa.

E louve-se o fato de que Peart fugiu da armadilha de encher o relato de forte carga emocional que jogasse o livro na seara da auto-ajuda ou do sentimentalismo fácil – a prosa dele é elegante demais para sucumbir a esses artifícios. A obra cumpriu a sua função, ainda que a quantidade grande de irrelevância embaralhe e atravanque a narrativa.

nay por nic


naquele fim de semana




sexta-feira, 8 de julho de 2016

self











fotos de Nayara

https://www.facebook.com/gnayara.guimaraes?fref=ts

terça-feira, 5 de julho de 2016

observar, aguardar...fé!





sobe aí maluco!

Maurício Porão com celular motorola G4

Run to the Hills, a biografia autorizada do Maiden




Talvez eu tenha lido muito sobre o Iron Maiden, afinal sou fã da banda inglesa desde a adolescência. Talvez Mick Wall, o jornalista inglês autor desta biografia sobre o grupo inglês, já tenha escrito o trabalho de sua vida em Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra, onde conta a história do Led Zeppelin. Não sei qual destes dois motivos, mas a conclusão é bem clara: Run to the Hills, a biografia autorizada do Maiden escrita por Wall, é um livro que não alcança alta expectativa esperada. Não chega a ser um livro ruim, mas é bastante decepcionante.



Pode ser obra da tradução da edição brasileira, mas o fato é que o texto não engrena em nenhum momento. A narrativa é cansativa e amarrada, o que é inexplicável em uma história com tantas reviravoltas quanto a do Iron Maiden. Não li a edição inglesa, então não possuo parâmetros para comparar a original com a versão nacional, mas é inegável que chegar ao fim das 400 páginas desta biografia foi um trabalho árduo.


Uma possível explicação para isso talvez esteja na data do lançamento original de Run to the Hills, o livro. Uma das primeiras obras de Mick Wall, chegou às lojas no já longínquo ano de 1998, e não traz a personalidade e identidade do texto que encontramos em outros livros do jornalista inglês, como a já citada obra dedicada ao Led Zeppelin e na também excelente Metallica: A Biografia. Ao comparar estes três livros, percebe-se que Mick Wall ainda não havia encontrado a fórmula que desenvolveu para narrar a trajetória de seus heróis. Não há nada épico e surpreendente aqui, ao contrário dos títulos dedicados ao Led e ao Metallica. E, convenhamos, não encontrar elementos atraentes para contar a história de uma das maiores bandas de todos os tempos é, no mínimo e na falta de uma palavra mais apropriada, um balde de água fria (poderia optar por "incompetência", mas Wall já provou a sua capacidade em vários outros títulos).


Há problemas estruturais também. O texto ocupa quase metade do livro para contar a formação da banda e o seu período com Paul Di'Anno, enquanto a outra metade é dedicada aos tempos com Bruce Dickinson e Blaze Bayley. Quem conhece a história da banda sabe que a época áurea do Maiden foi justamente com Bruce, e os fatos praticamente imploram por mais espaço. Além disso, o livro cobre a linha do tempo do Iron Maiden somente até o álbum Dance of Death, lançado em 2003. O livro acaba em 2003, deixando dois discos de estúdio e dez anos de história no limbo. Por mais que a obra original não tenha recebido uma atualização, lançar a biografia da banda de heavy metal mais popular entre os brasileiros ignorando a última década de sua vida soa quase amador. Um apêndice exclusivo para o mercado nacional com capítulos contando esse período seria o apropriado, como, inclusive, já foi feito por várias editoras. Uma imensa falta de senso comercial salta aos olhos nesse aspecto.


A obra não é de toda ruim e tem seus méritos, mas a sensação, ao final da leitura, é que poderia ser muito melhor. Por todos esses aspectos, Run to the Hills acaba sendo um livro dedicado apenas para os fãs mais apaixonados do Iron Maiden, parcela do público que sabe de cor e salteado praticamente todo o conteúdo que ele carrega em suas páginas.


Tinha tudo para ser um dos lançamentos do ano, mas acabou se tornando uma enorme decepção.


Por Ricardo Seelig
post original
http://www.collectorsroom.com.br/2013/12/critica-do-livro-iron-maiden-run-to.html

Niacin (Billy Sheehan, John Novello, Dennis Chambers) – Live At Blue Not...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

cine noia - Ralé


O cinema de Helena Ignez exala transgressão, e não é à toa. Afinal, são características da gênese de seu trabalho como atriz no cinema marginal e de sua relação com cineastas como Rogério Sganzerla e Glauber Rocha, com os quais foi casada. 


Em seu mais recente longa, Ralé, Ignez apresenta uma proposta que busca, como já esperado, fugir do óbvio e dos padrões em uma adaptação bem livre, moderna e descontruída do texto de mesmo nome do escritor russo Máximo Gorki (A Mãe, 1906).



Anárquica por excelência, a diretora conta a história de um barão (Ney Matogrosso) que, após se aposentar dos seus dias de libertinagem e drogas, funda uma seita religiosa baseada no chá alucinógeno de São Daime. Sem dar diretrizes e longe de uma linguagem didática ao espectador, Ignez trilha o caminho pelas diversas pessoas que foram influenciadas pelo tal barão, inclusive sua personagem.

Na narrativa fragmentada, a realizadora fala sobre velhice, liberdade e aceitação sexual. É um filme libertário e, como é dito durante a projeção, “polêmico e amoral”. Enquanto uma atriz (Simone Spoladore) atua em um filme dirigido pelo mais novo prodígio do cinema mundial, o Barão e seu marido bailarino são unidos em uma cerimônia de casamento por um “padre” transexual. Principalmente com intepretações boas de Matogrosso, que repete a parceria com a diretora iniciada em Luz nas Trevas; A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), e de Djin Sganzerla, que se destaca com uma deliciosa naturalidade. Aliás, alguns dos grandiosos momentos do filme se valem de canções de Ney Matogrosso, que as interpreta nesse pequeno teatro no campo montado pelo seu personagem.



Com um olhar maduro e objetivo entre seus segmentos, Helena Ignez corresponde às expectativas mesmo quando Ralé perde um pouco do caminho e se torna um tanto cansativo. Mesmo assim, a diretora imprime sua personalidade e loucura marginal em um filme que está longe de ser polêmico, mas é, com certeza, deliciosamente amoral.
trailer e mais informações:
https://omelete.uol.com.br/filmes/rale/trailers/

quinta-feira, 30 de junho de 2016

“100 NUDES”: ATOR TIRA TODA A ROUPA PARA QUESTIONAR O TABU DA NUDEZ




O ator e empreendedor Hugo Godinho de 31 anos, integrante da companhia de teatro Os Satyros, trouxe uma nova ótica a retratação do nu com o lançamento do projeto “100 NUDE Shoots (Of Hugo)“, em tradução livre, 100 ensaios nu (de Hugo). 


O paulistano quer ajudar a borrar as linhas que ainda distinguem o artístico do erótico.
O simples ato de ficar sem roupa ainda é um tabu para algumas pessoas, mas para outras o processo de ser retratado nu é tão natural quanto beber um copo d’água.







Seu projeto ganhou vida em 2015, após ele receber um convite de um fotógrafo que estava assistindo ao seu espetáculo. O primeiro ensaio acabou levando ao segundo e a partir desse processo, o estudo sobre a nudez na arte foi cada vez mais aprofundado.100 nudes shoots



Para ele, não há distinção entre o nu “normal” do artístico, porque esses padrões partem de premissas erradas construídas em cima de preconceitos e tabus existentes sobre a nudes.

“Há quem considere que o nu artístico deve esconder as genitálias, caso contrário, seria erótico, ou mesmo pornográfico. É a nossa cultura religiosa, heteronormatiava e machista que criou e propaga esse tipo de associação automática da nudez ao sexual e do sexual a algo proibido ou restrito” – revela ele.




O Projeto “100 NUDE SHOTS (Of Hugo)”


Com o objetivo de unir em um só lugar, diferentes visões e conceitos contemporâneos sobre a nudez, o paulistano quer ajudar a borrar as linhas que ainda distinguem o artístico do erótico, do pornográfico, o fashion do amador, e neste processo tentar transmitir que estar nu é simplesmente ser humano.




“O projeto também tem uma motivação intrinsecamente artística, pra mim. Ser retratado nu é fazer-se voluntariamente vulnerável, transformando-se em uma página em branco a serviço da visão de outro, sujeitando-se à sua direção, deixando-se retratar como o outro te enxerga em um verdadeiro exercício de desapego” – conta Godinho


Participação especial


Em alguns shoots, podemos ver a presença de outro modelo, Rodolfo, marido de Godinho. Para ele, participar do projeto junto com Hugo é uma forma de oprimir o bullying que ele sofreu no passado em relação ao corpo, jeito pessoal e também por sua orientação sexual.

“O Rodolfo entende a exposição do corpo como um instrumento de combate à repressão sexual e ao moralismo hipócrita da sociedade. E ele ainda tem um motivador a mais pra entrar de cúmplice nessa empreitada: ele foi um adolescente tímido e que sofreu, nessa fase crítica da vida, muita discriminação por sua aparência, por seu jeito pessoal e por sua orientação sexual.”


Contando com o talento e a disponibilidades de pessoas interessadas, a concepção fotográfica continua em andamento, com mais de 50 ensaios programados.


A maior limitação é o tempo e orçamento para as produções do ensaio, pois o projeto não possui nenhuma fonte de renda e os colaboradores possuem outras atividades tanto profissionais quanto artísticas.



Até agora foram feitos apenas 10 ensaios, cada um com um fotógrafo diferente, mas Godinho quer ir além da barreira artística e promover ensaios, performances e explorar cada vez mais o tema que se tornou forte em sua vida. E assim, concluir o projeto com as 100 visões diferentes da sua própria nudez.“Pretendo daqui em diante explorar cada vez mais diferentes possibilidades e expandir as fronteiras artísticas, por exemplo, realizando ensaios em público, como parte de performances, com a participação de outros modelos em fotos coletivas, com o apoio e colaboração de artistas de outras áreas. Dessa forma, o projeto poderá ganhar uma amplitude e alcance cada vez maiores, pois vemos diariamente através de tantas manifestações de ódio, intolerância, opressão, que a humanidade precisa cada vez mais de exemplos de liberdade. A nudez serve tão bem para contar histórias sobre o mundo em que vivemos.”

créditos das fotos e postagem original:

http://sossolteiros.bol.uol.com.br/100-nudes-ator-tira-toda-a-roupa-para-questionar-o-tabu-da-nudez/