.
post original:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-197685/creditos/
Uma das grandes surpresas de bilheteria do ano, Straight Outta Compton - A História do N.W.A. faturou US$ 160 milhões apenas nos Estados Unidos, um valor considerável para uma produção orçada em US$ 28 milhões. Agora, o filme chega aos cinemas brasileiros deixando uma questão principal: será que uma história tão americana, sobre um movimento bem específico da cultura musical nos EUA, sairá bem nas bilheterias do Brasil? É difícil imaginar que irá repetir números tão bons (proporcionalmente, é claro), mas uma coisa é certa: o filme tem seu valor.
Mesmo contando com problemas de ritmo e desenvolvimento, culpa dos 147 minutos de duração, o longa consegue despertar interesse em quem não gosta do estilo musical ou não está familiarizado com o grupo. A trama, como o longo título nacional deixa claro, gira em torno do nascimento, ascensão e queda do N.W.A. (Negros com Atitude, na tradução literal), grupo formado por Eazy E, Dr. Dre, Ice Cube, DJ Yella, MC Ren e Arabian Prince, que marcou o movimento do rap nos anos 80 e 90.
Numa região marcada pela violência, pelo tráfico de drogas e pela brutalidade policial, surgem jovens que veem na música um futuro. Ainda sem saber se conseguiram viver daquilo, eles lutam para fazer arte e transmitir as dificuldades do dia a dia em suas obras. Parece uma trama piegas digna de telefilme, mas a força da música e dos personagens fazem do filme algo maior.
O longa destaca todos os membros do grupo e também passa pelas trajetórias de outros nomes do rap americano, como Suge Knight, Snoop Dog, Tupac e companhia, mas o foco está mesmo na dinâmica entre Eazy E, Dr. Dre e Ice Cube. O trio que cresceu em Compton formava a alma do grupo e o filme trabalha muito bem quais as funções de cada um.
Numa região marcada pela violência, pelo tráfico de drogas e pela brutalidade policial, surgem jovens que veem na música um futuro. Ainda sem saber se conseguiram viver daquilo, eles lutam para fazer arte e transmitir as dificuldades do dia a dia em suas obras. Parece uma trama piegas digna de telefilme, mas a força da música e dos personagens fazem do filme algo maior.
O longa destaca todos os membros do grupo e também passa pelas trajetórias de outros nomes do rap americano, como Suge Knight, Snoop Dog, Tupac e companhia, mas o foco está mesmo na dinâmica entre Eazy E, Dr. Dre e Ice Cube. O trio que cresceu em Compton formava a alma do grupo e o filme trabalha muito bem quais as funções de cada um.
Voltando aos problemas de ritmo, o filme, por alguns momentos, dá a impressão de que continuaria eternamente, abrindo seu foco para diversos momentos da vida dos integrantes da banda. É possível imaginar que funcionasse bem como uma série de TV, como uma "Empire do rap". Mas a verdade é que os méritos da produção são bem maiores que seus problemas. Conta com uma boa reconstituição de época e com momentos em que consegue transmitir a força do gênero/movimento musical, mesmo para quem não é muito fã ou desconhece o mesmo.
Também trata de temas sérios, presentes no dia a dia daqueles jovens, como as drogas, a violência policial e o racismo. O elenco da produção está bem, principalmente Jason Mitchell como Eazy E e Corey Hawkins como Dr. Dre. É curioso ver Ice Cube ser interpretado por O'Shea Jackson Jr., que é justamente o filho de Ice Cube. Sua atuação não se destaca, mas é tão parecido com o pai que acaba dando autenticidade ao projeto. Além do que, Cube também está longe de ser um bom ator.
Produzido pelos membros no N.W.A., o filme pode ser acusado de ser um pouco chapa-branca, mas não deixa de mostrar conflitos vividos pelo grupo, em especial a difícil relação com o empresário Jerry Heller, vivido pelo sempre competente Paul Giamatti.
outra:
Contestação e música ficam em segundo plano, em biografia chapa-branca pautada pelo sucesso
por MARCELO HESSEL
post original:
http://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/straight-outta-compton/?key=101259
Não é a contestação, nem a música, que dão o tom de Straight Outta Compton - A História do N.W.A. (2015), e sim o sucesso. O filme do diretor F. Gary Gray sobre o grupo que ajudou a fundar o gangsta rap e revelou à cultura negra americana os nomes de Ice Cube e Dr. Dre se organiza em função da ascensão dos dois artistas, em oposição à ruína moral e física do co-fundador Eazy-E.
Essa disposição chapa-branca de incorporar ao filme o lado mais glamuroso do gangsta rap - "fique rico ou morra tentando" - permeia toda a trama, uma biografia protocolar que começa com a formação do N.W.A. em 1986 e termina, não por acaso, com uma menção nos créditos finais ao negócio bilionário que Dre fechou com a Apple pelos fones de ouvido Beats. No meio do caminho, Gray cita por obrigação os primeiros sucesso de Cube no cinema e enfeita a jornada como pode: mesmo na cena do enterro do irmão de Dre o grupo sai de cena triunfante, enfileirado à la Cães de Aluguel.
Talvez essa glamourização fosse incontornável, uma vez que é justamente o sucesso comercial a principal forma que o hip hop tem hoje de se legimitar como epicentro da cultura pop dos EUA. Em Straight Outta Compton, porém, essa postura só serve para sufocar assuntos incômodos (Dre é o mais bem sucedido então o filme não toca nos seus episódios de abuso contra mulher) e minimizar a violência, retratada como piada (o namorado de Felicia que bate no quarto do hotel e é recebido com um arsenal) ou excentricidade (o ataque de Ice Cube à gravadora). Consequentemente, o filme não menciona a guerra sangrenta entre o rap das costas Leste e Oeste no resumo dos créditos finais.
Restam as saídas descomplicadas e esperadas: achar um par de vilões (Suge Knight, o empresário judeu, figuras cuja função no filme é servir de obstáculo ao gênio do trio principal), aderir ao discurso de justiça social que está na origem do gangsta rap e é o coração do N.W.A. (nos conflitos contra a polícia e nas cenas de gueto, pontos altos do filme, reforçado pelas imagens forte de arquivo da morte de Rodney King) e tornar Eazy-E menos um mártir do que um mau exemplo (a grande lição de moral de Straight Outta Compton, um filme inequivocamente americano, não seria outra senão condenar a promiscuidade).
Como muitas outras biografias musicais, Straight Outta Compton confia que sua narrativa possa ser conduzida pela performance, e não pela problematização ou pela revisão histórica. Mas o acesso aos clássicos do N.W.A. e o fato de o elenco principal ser incrivelmente parecido com Cube, Dre e Eazy-E, infelizmente, não bastam.
e mais outra:
post original`
http://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/filme-straight-outta-compton-historia-do-nwa/
Talvez o NWA não seja tão popular aqui no Brasil para o público em geral, mas ele pode ficar mais famoso depois da estreia de Straight Outta Compton – A História do NWA. Com o objetivo de contar a história da formação da banda e o que aconteceu com seus integrantes depois da separação, o filme de F. Gary Gray é uma interpretação eletrizante e emocionante das vidas de Ice Cube, Dr. Dre e Eazy-E. Até quem é não é fã de rap pode se apaixonar vendo o longa.
Apesar do NWA ter sido formado por cinco artistas, o foco maior do roteiro é em Ice Cube (O’Shea Jackson Jr, filho do verdadeiro rapper), Dr. Dre (Corey Hawkins) e Eazy-E (Jason Mitchell). As primeiras cenas nos contextualizam sobre as vidas de cada um deles, como o relacionamento com a família, conflitos com a polícia e a paixão pela música. DJ Yella (Neil Brown Jr) e MC Ren (Aldis Hodge) também aparecem, mas com uma atenção menor. A participação do empresário Jerry Heller (Paul Giamatti), por outro lado, é essencial aqui, do início ao fim.
O período englobado pela adaptação vai de 1986 a 1996, ou seja, o começo, o término do grupo, a morte de Eazy-E e a criação da gravadora Aftermath. Os detalhes dos problemas com drogas, polícia e dinheiro são destaques, ao lado da música, é claro. Temos uma grande exploração do preconceito com os jovens por serem negros, a violência em torno deles na cidade de Compton e como isso reflete nas suas composições e comportamento.
Em uma cena, por exemplo, policiais param o carro e mandam eles deitarem no chão sem nenhum motivo, em frente a um estúdio de gravação em Torrance. Isso realmente aconteceu, apesar de não ter sido o motivo de Cube ter escrito “F*** The Police” (a faixa já estava sendo trabalhada por ele há mais tempo). E eles foram presos por terem cantado a canção em um show em Detroit, mesmo com uma adaptação exagerada de como tudo aconteceu no filme. Tem que dramatizar, é claro.
As festas, mulheres e brigas por causa de contrato são constantes na tela também. Quanto maior a fama e quantidade de shows, mais grana para o NWA e mais bagunça e confusão na vida pessoal deles e na harmonia da banda. Cube percebe que não está recebendo o que deveria e deixa os amigos, seguido de Dr. Dre. A tensão entre eles e Eazy-E aumenta consideravelmente, a ponto de lançarem músicas sobre isso e passarem muito tempo sem qualquer contato. As complicações no pós-NWA também continuam, deixo claro. Dr. Dre tem problemas com o violento Suge Kinight (R. Marcos Taylor), enquanto Cube quebra o escritório da Priority Records com tacos de beisebol por não receber o dinheiro prometido a ele.
A figura de Heller, inicialmente, é de um empresário que quer ajudá-los, mas ele acaba virando o maior vilão da história. Não como um homem maligno nem nada, mas como um homem que ganha dinheiro em cima do NWA e não passa para os integrantes o valor que eles merecem, com exceção de Eazy-E, com quem tinha uma relação forte de confiança e amizade.
Além da intensa realidade dos bastidores, um ponto forte de Compton é a música. A maneira como Gray nos insere nos shows do NWA e como a banda transformou o cenário musical com seu primeiro disco é contagiante. Eu, que não vou em shows de rap, fiquei com vontade de ir conferir um por causa do filme; é impressionante como do diretor consegue nos transmitir o clima elétrico das performances dos caras nos EUA. O processo de gravação das faixas deles e até mesmo em suas carreiras solo é bem retratado e nos envolve facilmente com a história.
Elogios de sobra ao elenco. É claro que Hawkins, Mitchell (suas últimas cenas no hospital são brilhantes), Jackson Jr. e Giamatti têm mais chance de chamar a atenção, pois aparecem em mais cenas e têm vários diálogos no decorrer do longa. Mas os demais coadjuvantes também estão ótimos, especialmente Taylor. O ar pesado que ele deu a Knight é aterrorizante em alguns momentos.
Quando foi lançado nos EUA e se tornou um sucesso imediato nas bilheterias e entre os críticos, Straight Outta Compton já havia aumentado o meu interesse para conferi-lo nos cinemas. Depois que o assisti, confirmo tudo o que foi dito de positivo em relação ao filme até agora. Temos um filme cheio de paixão, emoções e um enredo cativante sobre o NWA.

Nenhum comentário:
Postar um comentário