segunda-feira, 9 de maio de 2016

cine noia - Mulher Objeto

Em vários filmes da pornochanchada, a mulher sempre foi tratada como mero objeto de desejo, tanto dos personagens, quanto dos espectadores que iam ao cinema para vê-la. E em Mulher Objeto, o último e melhor filme de Silvio de Abreu não é diferente. Só que esse fala de uma mulher que é desejada por vários homens, mas ela mesma não consegue sentir prazer. Regina (Helena Ramos) e Hélio (Nuno Leal Maia) são casados há dois anos e passam por uma crise no casamento, já que ela não gosta de sexo e não deixa que o marido se aproxime, mas mesmo assim fantasia que tem relações com outros homens que encontra e pelos quais sente atração, como o sobrinho de uma amiga, um médico e um encanador. Só que nem nas fantasias, consegue se satisfazer, pois se sente sempre incomodada por pombos e por traumas do passado. “É um impedimento para a realização de algo que ela anseia e não simplesmente vontade de realizar uma cena erótica, o que trouxe ao filme uma dimensão maior.”

bostagem original:
http://gilbertocarlos-cinema.blogspot.com.br/2010/02/mulher-objeto-brasil-1981.html

Hélio não aguenta mais aquela situação e sugere que a mulher procure uma analista. Com o decorrer das consultas, as duas vão desvendando todo o mistério: a educação repressora que Regina teve num convento e a relação conturbada com o pai.


Mulher Objeto tem cenas bastante ousadas, com nu frontal, tanto masculino, quanto feminino, cenas de lesbianismo, sadomasoquismo, ménage à tróis, simulação de sexo bastante ousada, além de uma cena de penetração vista por Hélio em um filme antigo, mas tudo bastante refinado e em nenhum momento vulgar.

Sílvio de Abreu foi fundo no lado obscuro dessa mulher insatisfeita, mas por incrível que pareça e apesar de ser roteirista, os diálogos aqui não são seus. O argumento é de Alberto Salvá (A menina do lado) e o roteiro de Jayme Cardoso.

Helena Ramos em seu melhor papel não era a primeira escolha do diretor que pensou antes em Sonia Braga, Vera Fischer, Bruna Lombardi e Sandra Bréa, mas todas recusaram. Em nenhum momento ele queria dar o papel a Helena, pois ela tinha feito alguns filmes ruins e tinha o nome relacionado só à pornochanchadas e ele queria elevar o nível do gênero. Só aceitou quando percebeu que ela tinha muita garra e era capaz de interpretar qualquer papel. Ela sabia da responsabilidade, que se tratava de um filme mais pretensioso e se dedicou integralmente, lendo sobre sexualidade .

O filme foi exibido no Festival de Cannes e vendido para vários países. No Brasil conseguiu 2.031.520 espectadores, além do reconhecimento da crítica. Depois dele, Silvio de Abreu não dirigiu mais nada e passou a se dedicar somente às novelas.
 

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