“Fugi da intelectualidade porque intelectual não come ninguém”, diz Carlos Imperial em uma das entrevistas do documentário de Renato Terra e Ricardo Calil. Já passara da hora de essa singular figura da cultura brasileira ser resgatada e ter seu legado conhecido. E não só pela nova geração, porque para muitos que viveram as décadas de 60, 70 e 80, Carlos Imperial era apenas um irreverente apresentador de TV e ator de pornochanchadas. Da mesma dupla por trás do aclamado Uma Noite em 67 (2010), Eu Sou Carlos Imperial (2015) pinta um retrato sem concessão desse cara em que tudo era superlativo, de sua capacidade para provocar polêmicas ao talento musical.
Nascido em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, mas considerado uma das principais encarnações do cafajeste carioca, Carlos Imperial (1935-1992) revelou alguns dos maiores artistas da música brasileira. Foi ele quem lançou o primeiro disco de Elis Regina e catapultou para o sucesso nomes como Roberto e Erasmo Carlos, Tim Maia e Wilson Simonal. Compôs canções populares como “A Praça” e “Vem quente que eu estou fervendo”, mas não hesitou em tomar só para si os créditos de muitas parcerias musicais.

Sem falsa modéstia, Imperial se dizia o Orson Welles do cinema nacional, por escrever, produzir, atuar e dirigir dezenas de pornochanchadas. E o documentário traz inúmeras cenas protagonizadas pelo próprio, muitas de sexo explícito. Multitalento, ele comandou um programa de TV no estilo “Chacrinha”, foi colunista de jornal e revista, produtor teatral, dirigente de futebol, incentivador do carnaval carioca, vereador e até candidato a prefeito no Rio. Seu negócio era estar no comando, e ai daqueles que não se curvassem às suas ordens. Os diretores iluminam bem essa face vaidosa e autoritária.
Mentiroso e traiçoeiro também são adjetivos usados, inclusive por amigos. “Era um cafajeste de bom coração”, afirma Tony Tornado. Imperial só tomava Coca-Cola e tinha apenas um grande vício: as mulheres. São muitas as histórias de suas conquistas, das orgias, bacanais e farras homéricas. A filha conta que era comum se deparar com o pai com mais de uma mulher na cama. Impagável a entrevista dele à Marília Gabriela, que tenta resistir à lábia do pilantra. O cara era endiabrado e Eu Sou Carlos Imperial lhe faz jus.
mais algumas coisas e trailer
http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/materias/assista-ao-trailer-do-documentario-eu-sou-carlos-imperial.html
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