Banda ícone do rock brasiliense, Plebe Rude é tema de documentário
Filme foi lançadono fechado Canal Brasil e em plataformas de vídeo
“A gente nunca foi pop. Nunca fizemos canções de amor. O que nos movia, por morarmos em Brasília, por vivermos ainda na ditadura e sob a influência do rock pós-punk, era uma urgência de falar”. A frase de Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude, fala do início da banda e da postura que ela vem mantendo ao longo de sua trajetória.
A história do grupo hoje virou tema de documentário: “A Plebe é Rude”, a ser lançado nesta sexta-feira, dia 20, no Canal Brasil e em plataformas de vídeo sob demanda, como Now e Oi. Com direção de Diego Da Costa e Hiro Ishikawa, “A Plebe é Rude” revive a história da banda que, ao lado de outras como Legião Urbana, Ira! e Aborto Elétrico, colocou Brasília no mapa do rock nacional no início dos anos 1980.
O projeto do filme surgiu meio casualmente, quando Philippe, que também produz trilhas sonoras de cinema – uma delas foi a da premiada trilha de “Faroeste caboclo” (2013) – foi procurado por Da Costa para um filme de ficção. O projeto, todavia, não foi para a frente, e Da Costa apresentou ao vocalista outra ideia que sua produtora tinha em vista: a de um documentário sobre a Plebe Rude. Seabra topou na hora.
“(Nós da banda) Demos total acesso ao nosso acervo pessoal. E tem vários depoimentos: o Herbert Vianna fala, um cara que apoiou muito a gente, o Renato Russo, e de quase todos os membros que já passaram pela banda”, conta o vocalista, em entrevista por telefone à reportagem. A Plebe hoje é formada por Seabra, André X, Marcelo Capucci e Clemente. Arthur Dapieve, jornalista e pesquisador, e Jorge Davidson, executivo da primeira gravadora da banda, são outros entrevistados do filme, que conta com imagens raras em vídeo, material de jornais da época e fotos de arquivo.
Resistência e superação
“A Plebe é Rude” não esconde conflitos internos da banda – o que justifica a ausência de um dos ex-integrantes, Jander Bilaphra, entre os entrevistados. Por outro lado, o filme revela a amizade e a parceria entre Seabra e André X, ambos remanescentes do grupo original. “A Plebe foi fundada por essa amizade nossa”, diz o vocalista. “André é praticamente meu irmão mais velho”.
O documentário marca os 35 anos da banda e os 30 anos de seu primeiro álbum, “O concreto já rachou”. A fase inicial também vem à tona no filme. “Gravamos disco após cinco anos de formada a banda. Foram cinco anos que tivemos para consolidar nosso repertório e encontrar nossa identidade”, conta Seabra, que compara o cenário de ontem e o de hoje.
“Hoje esse processo é muito mais rápido, mas são bandas não encontraram seu som. A gente tocava em São Paulo, no Rio, sem a perspectiva de gravar, nem de viver de música. O que movia a galera nessa época era só a urgência de falar”, avalia ele, que vê na história da Plebe e de outras bandas brasilienses da época “uma história de superação”. “Brasília era uma cidade no meio do nada, não chegava cultura, não chegava nada. E vieram esses jovens, que apanhavam da polícia e da censura, e que acabaram mudando a cara da música brasileira”.
Na Plebe Rude, essa história se consolidou num rock de letras marcantes, com críticas sociais e políticas, que se expressou em canções como “Até quando esperar”, “Proteção” ou “Minha renda”. E o grupo, declara Seabra, faz questão de manter o registro nesse tom até hoje.
“A Plebe nunca fez música de amor, nunca se nivelou por baixo. Hoje a cultura brasileira está nivelada por baixo. Nossa missão, meio que inconsciente, é fazer o contraponto, mostrar que não é preciso fazer música idiota para viver, não precisa baixar a cabeça para o mercado. E acho que isso a gente conseguiu”.
Frase
"As pessoas que virem o filme vão vão ficar abismadas por duas coisas: uma é que já se fez rock sério no Brasil. Outra é que vão pensar, ‘Poxa, era tão legal, que droga que não tem mais nada assim na música hoje’", Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude.
Trajetória
Formada em Brasília em 1981, a Plebe Rude já vendeu mais de meio milhão de cópias de seus seis álbuns. O primeiro deles, “O concreto já rachou” (1986) foi listado pela “Rolling Stone” entre os 100 melhores da música brasileira de todos os tempos.
postagem original + trailer:http://www.acritica.com/channels/entretenimento/news/banda-icone-do-rock-brasiliense-plebe-rude-e-tema-de-documentario

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